É comum ouvirmos alguém dizer que "o ar está pesado" ou que determinado espaço parece abafado. No entanto, quando falamos de Qualidade do Ar Interior (QAI), a perceção das pessoas, por si só, não é suficiente para avaliar as condições de um edifício.
É frequentemente encontrarmos situações em que um espaço aparenta estar limpo e confortável, mas onde as medições revelam níveis de ventilação insuficientes ou parâmetros ambientais que justificam o desconforto sentido pelos ocupantes. Também acontece o contrário: edifícios onde existem preocupações com a qualidade do ar e onde a avaliação demonstra que os sistemas estão a funcionar corretamente.
É precisamente por isso que uma análise QAI é baseada em medições objetivas e não apenas na observação.
Dependendo do tipo de edifício, da atividade desenvolvida e dos objetivos da avaliação, são analisados diferentes parâmetros que permitem compreender o comportamento do ambiente interior e identificar oportunidades de melhoria.
Neste artigo explicamos quais são os principais parâmetros avaliados numa análise de Qualidade do Ar Interior e porque cada um deles é importante.
O que é uma análise de Qualidade do Ar Interior?
Uma análise de Qualidade do Ar Interior consiste na avaliação técnica das condições ambientais existentes num espaço fechado. O objetivo não é apenas verificar se existe conforto térmico ou ausência de odores. Pretende-se compreender se o ambiente oferece condições adequadas para os ocupantes e se os sistemas de ventilação e climatização estão a desempenhar corretamente a sua função. Consoante o tipo de edifício e o enquadramento da avaliação, poderão ser analisados diferentes indicadores físicos, químicos e biológicos. Cada parâmetro fornece informação específica. É a interpretação conjunta dos resultados que permite avaliar a qualidade do ambiente interior.
Porque é importante medir em vez de assumir?
Uma das ideias mais comuns é pensar que, se um edifício "parece" confortável, então a qualidade do ar é necessariamente boa. Na prática, isso nem sempre acontece.
Alguns parâmetros não são percetíveis pelas pessoas. É possível existir ventilação insuficiente ou concentrações elevadas de determinados contaminantes sem que existam sinais evidentes. Da mesma forma, um ocupante pode sentir desconforto devido à temperatura quando, na realidade, a origem do problema está na renovação do ar ou na humidade do ambiente.
É por isso que a avaliação da QAI deve basear-se em medições técnicas e não apenas na perceção dos utilizadores.
Quais são os principais parâmetros avaliados?
Embora cada avaliação seja diferente, existem indicadores que são habitualmente analisados.
Dióxido de Carbono (CO₂)
O dióxido de carbono é um dos parâmetros mais utilizados para avaliar a eficácia da ventilação. O CO₂ é produzido naturalmente pela respiração humana. À medida que aumenta a ocupação de um espaço, aumenta também a sua concentração. Quando a renovação de ar é insuficiente, os níveis de CO₂ tendem a aumentar.
O que nos indica este parâmetro?
Importa esclarecer um ponto frequentemente mal interpretado. Uma concentração elevada de CO₂ não significa, por si só, que o ar seja "perigoso". Na maioria dos edifícios, este parâmetro é utilizado sobretudo como um indicador indireto da qualidade da ventilação. Quando os valores são elevados, isso pode sugerir que o ar novo introduzido no espaço não está a ser suficiente para o nível de ocupação existente.
Partículas em suspensão (PM10 e PM2,5)
As partículas em suspensão correspondem a pequenas partículas sólidas ou líquidas presentes no ar.
Podem ter diferentes origens:
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Poeiras;
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Tráfego rodoviário;
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Atividades industriais;
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Processos de limpeza;
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Poluentes provenientes do exterior.
Quanto menor for o tamanho da partícula, maior será a sua capacidade de permanecer em suspensão. A medição destes parâmetros permite compreender melhor a qualidade do ambiente interior e avaliar o desempenho da filtragem e da ventilação.
Temperatura
A temperatura continua a ser um dos fatores com maior influência na perceção de conforto. No entanto, uma análise técnica vai além da simples leitura de um termómetro. É importante verificar se a temperatura se mantém estável e adequada ao tipo de utilização do espaço, evitando diferenças significativas entre zonas do edifício.
Humidade relativa
A humidade influencia diretamente o conforto térmico e o comportamento do ambiente interior. Valores demasiado baixos podem aumentar a sensação de secura do ar. Valores demasiado elevados podem favorecer fenómenos como condensações e desenvolvimento de bolores. O equilíbrio entre temperatura e humidade é um dos aspetos fundamentais da climatização.
Compostos Orgânicos Voláteis (COV)
Os Compostos Orgânicos Voláteis são substâncias libertadas por diversos materiais presentes no interior dos edifícios.
As suas principais fontes podem incluir:
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Tintas;
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Colas;
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Vernizes;
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Produtos de limpeza;
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Mobiliário;
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Revestimentos.
A sua medição permite identificar possíveis fontes de emissão de compostos químicos no ambiente interior.
Monóxido de Carbono (CO)
Dependendo das características da instalação, também poderá ser avaliada a presença de monóxido de carbono. Este parâmetro assume maior relevância em edifícios onde existam equipamentos de combustão ou outras potenciais fontes deste gás.
Outros parâmetros
Consoante o tipo de edifício ou os objetivos da avaliação, poderão ainda ser analisados outros indicadores, como:
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Formaldeído;
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Ozono;
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Fungos;
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Bactérias;
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Outros contaminantes específicos.
Nem todas as análises incluem todos estes parâmetros. A seleção depende sempre do contexto da avaliação.
O que significam os resultados?
Uma análise QAI não consiste apenas em recolher medições. O verdadeiro valor está na interpretação técnica dos resultados. Por exemplo, um valor elevado de CO₂ pode indicar necessidade de rever a ventilação. Uma concentração elevada de partículas pode justificar uma avaliação do estado dos filtros ou dos sistemas AVAC. Da mesma forma, valores de temperatura e humidade fora dos intervalos recomendados podem apontar para necessidades de ajuste da climatização. É precisamente a análise conjunta de todos os parâmetros que permite compreender o comportamento do edifício.
Qual é o papel dos sistemas AVAC?
Os sistemas AVAC desempenham um papel determinante na Qualidade do Ar Interior.
São eles que asseguram:
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A renovação do ar;
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A climatização;
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A filtragem;
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O controlo da humidade;
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A distribuição do ar pelos diferentes espaços.
Quando estes sistemas não recebem manutenção adequada, o seu desempenho pode degradar-se e refletir-se diretamente nos resultados de uma análise QAI. É por isso que a avaliação da qualidade do ar deve ser acompanhada por uma estratégia de manutenção preventiva e, quando necessário, pela limpeza técnica dos sistemas AVAC.
Que edifícios beneficiam de uma análise QAI?
A avaliação da Qualidade do Ar Interior pode trazer benefícios a qualquer edifício.
No entanto, assume especial importância em:
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Hospitais e clínicas;
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Escritórios;
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Hotéis;
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Escolas e universidades;
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Lares e creches;
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Centros comerciais;
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Indústria;
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Edifícios de serviços.
Em muitos destes espaços, conhecer a qualidade do ar é o primeiro passo para melhorar o conforto, otimizar os sistemas AVAC e apoiar uma gestão mais eficiente das instalações.
A Qualidade do Ar Interior não pode ser avaliada apenas pela perceção das pessoas. O conforto é importante, mas só uma análise técnica permite conhecer verdadeiramente o comportamento ambiental de um edifício.
Parâmetros como o dióxido de carbono, as partículas em suspensão, a temperatura, a humidade ou os Compostos Orgânicos Voláteis fornecem informação essencial para compreender o desempenho dos sistemas AVAC e identificar oportunidades de melhoria.
Na CleanBreeze acreditamos que uma boa gestão da Qualidade do Ar Interior começa sempre por um diagnóstico rigoroso. Só conhecendo o estado real de uma instalação é possível tomar decisões informadas e implementar soluções que contribuam para ambientes mais confortáveis, eficientes e saudáveis.